quarta-feira, 2 de abril de 2008

A pragmática estatística nos dias de hoje

Esse aqui é realmente inútil. A Renata me pediu que eu falasse para ela algumas situações em que a estatística pudesse ser aplicada (para o seu trabalho). Como eu não tinha mais nada pra fazer (na verdade tinha, mas...), escrevi umas bobagens. Achei que isso seria útil para alguma coisa, mas depois de ser zoado pela Renata, decidi colocá-lo (em outras palavras, jogá-lo fora) nesse blog. (Foi o Z que sugeriu colocar, então não me culpem!).

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A pragmática, como forma de conhecimento, sempre me intrigou. Há muito me indago sobre a utilidade prática daquilo que conhecemos hoje por estatística. Busco aqui fazer um relato de meus descobrimentos nos últimos 15 minutos, os quais certamente foram mais produtivos que meus 3 anos de faculdade.

Da wikipedia, temos:

"O termo estatística surge da expressão em Latim statisticum collegium palestra sobre os assuntos do Estado, de onde surgiu a palavra em língua italiana statista, que significa "homem de estado", ou político, e a palavra alemã Statistik, designando a análise de dados sobre o Estado".

Muito bem. Daí já temos algumas idéias. Por exemplo, utilizamos estatística quando estamos interessados em conhecer mais sobre nossos queridos semelhantes. "Quantas TV's meu vizinho tem? Será que eu tenho que comprar mais uma para fazê-lo ficar com inveja?" (TV aqui poderia ser substituída por outros substantivos como, por exemplo, geladeira, fogão, mulher...). É para isso que existem órgãos como o IBGE.

Por incrível que pareça, a estatística também pode ser usada para o bem. Claro, o bem de uma minoria. Podemos, por exemplo, tentar descobrir o preço que uma ação terá no dia seguinte. Evidentemente que fariamos isso apenas por curiosidade, visto que não temos dinheiro para poder investir.

Em um banco, também podemos tentar descobrir que clientes serão bons ou maus pagadores, com a finalidade maquiavélica de que os donos lucrem o máximo que possam. Nada mais justo. A própria Teoria da Decisão, na qual uma bela vertente da estatística se fundamenta, baseia-se em "maximizar a utilidade esperada". Vulgarmente, essa expressão pode ser traduzida como "maximizar meu bem estar". Maquiavelismo aqui pode ser substituído pelo termo marxista, visto que uma outra aplicação dessa ciência (?) é descobrir se medicamentos genéricos são melhores que drogas de afamadas indústrias farmacêuticas, donas de todo o resto de dinheiro do mundo que não está com o aposentado-por-invalidez dono da Microsoft.

Médicos também alegam que ela pode ser utilizada para identificar a influência de certos sintomas em algumas doenças, ou mesmo na severidade dessas enfermidades em um dado paciente-de-laboratório infeliz. Por exemplo, quantos anos um paciente que sofre de alguma letal irá sobreviver? Resposta: não muitos.

Falando em tempo de sobrevivência, lembramos também da Teoria da Confiabilidade. Qual a taxa de falha de um certo sistema? Quanto eu espero gastar com ele em t anos? Quando eu acho que terei que trocar uma peça desse equipamento? Quando eu peço para o estagiário me trazer um café? Meu n é maior que 30?

Não podemos deixar de falar da atuária. Aqui é utilizada uma avançada técnica conhecida como GNA. Nessa aplicação, coloca-se em um computador alguns dados sobre o novo cliente e ele, magicamente, diz quanto o cliente deverá pagar por mês. Por exemplo, se você coloca NOME: Rafael, a taxa triplica. É claro que "magicamente" é apenas uma hipérbole. Isso não é mágica. Como saber quanto um cliente deve pagar? Resposta: GNA (gerador de números aleatórios).

A estatística também pode ser usada para matar nossas curiosidades pessoais. Quantas pessoas viram o último BBB? Quantas pessoas viram meu vídeo no youtube? E meu blog? Nesse último caso, é melhor que não haja uma arma por perto, ao menos quando se trata do autor deste texto. Outras curiosidades como "o que é melhor, "Guaraná Antártica" ou "J.C., Estou Aqui?" também podem ser sanadas.

Como disse o porco do George Orwell (sem ambiguidades, por favor) "todos são iguais, mas uns são mais iguais que os outros". Os estatísticos são iguais aos outros, mas eles tem conhecimento. Assim, Estatística => Conhecimento. Mas Conhecimento => Poder. Logo, "Estatística é Poder." Hahaha, quem me dera...

ps: não esqueçam das pesquisas eleitorais!

8 comentários:

ahtomita disse...

um dos falso usos da ciencia em
economia, é usar trade in information
e abuso de poder para enriquecer e
dizer que aquilo veio de predição
(com alta probabilidade) ao inves
de manipulação do mercado com
100% de chance.

Sobre remedios, creio que alguns
casos, a informacao preciosa é
saber a eficacia do convencimento que o remedio funciona, antes do paciente desistir do tratamento
para que se produza o próximo
remedio que irá cura-lo... ou no
caso dos cigarros e alcool, se
a morte do cliente será tardia suficiente para que dê tempo
de reabastecer o mercado com
novos clientes...

ahtomita disse...

o problema não é com a estatistica
ou com qualquer outra ciencia,
é com a ética para usá-la...

Gabriel disse...

Post estranho... vc quis dizer alguma coisa com isso?
No começo parece que você quer colocar a estatística como uma arma, que pode ser usada para que alguém consiga levar vantagem, gananciosamente, sobre outros.
Depois fala que ela não serve pra nada, que é melhor fazer suas decisões aleatoriamente...

Gabriel disse...

PS: comentei o seu blog uma vez!
(e agora duas :P)

rizbicki disse...

Não quis dizer muita coisa com esse post, por isso escrevi "Esse aqui é realmente inútil" no começo!!

Mas, bom, a estatística realmente pode ser usada como uma arma. E, de fato, o problema está na ética, em qualquer área do conhecimento. Mas o problema ainda maior com a estatística é que, em geral, a resposta que é dada por ela é vista, por muitos cientistas, como uma palavra divina, que não pode ser questionada. Tanto é que muitos dizem frases como "Eu quero provar que esse remédio é melhor que o outro...". E, quando a estatística diz que de fato um remédio parece ser melhor que o outro, eles dizem "Provei!!! É melhor mesmo!".

Quanto a tomar decisões aleatórias, acho que às vezes não estamos muito longe disso! (brincadeira, estamos sim, espero...)

ahtomita disse...

se inves do individuo, pensarmos
que somos um conjunto de células,
talvez desse para fazer um teste
estatístico para comprovar a sua
opinião, pegando uma amostragem das
células e ver qual a opinião delas
:p

Boa parte das nossas decisões parece
aleatória, até descobrirmos qual
a razão que nos levou a escolher
um caminho ou outro...

Mr. Stern disse...

Eta. Nunca vi tanto sarcasmo condensado.

Respire fundo, Rafael!

rizbicki disse...

Hahaha!!